Fim de ano traz aumento de golpes

Com mais dinheiro circulando, a população passa a gastar mais e fica mais vulnerável à ação de estelionatários; alerta deve ser redobrado


Atravessando uma escalada neste ano em Bauru, golpes, em sua maioria praticados pela Internet, tendem a aumentar no final do ano. Com mais dinheiro circulando devido à entrada do 13.º salário e à proximidade das férias e festas de fim de ano, a população - que passa a gastar mais - fica mais vulnerável à ação de estelionatários, conforme alerta o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Bauru.

No ano passado, a Central de Polícia Judiciária (CPJ) registrou uma média de 120 casos por mês e, em 2017, este número subiu cerca de 20%, totalizando aproximadamente 143 ocorrências mensais.
A alta é explicada, possivelmente, devido à crise, que levou um número maior de pessoas a procurar "boas oportunidades" de negócios e, com isso, se tornaram "um prato cheio" para a ação de estelionatários. Por isso, a prevenção é uma das melhores armas (veja no quadro no final).

70% PELA INTERNET
'Na ansiedade de fazer um negócio vantajoso, as pessoas ficam cegas’, diz delegado Richard Serrano
Em 2017, a Polícia Civil de Bauru já coleciona ‘pilha’ de casos
Coordenador do SIG, o delegado Richard Serrano conta que, do total de 1.426 crimes registrados em Bauru de janeiro a outubro deste ano, cerca de 70% foram consumados pela Internet.
E as formas que os golpistas encontram para levar dinheiro das vítimas são variadas, podendo abranger, de maneira conjugada ou não, o uso de e-mails, redes sociais, sites, aplicativos de trocas de mensagens e SMS enviados pelo aparelho celular.
"Nas relações de compra e venda, na maioria dos casos, a vítima é o comprador, que deposita o dinheiro antecipado, ou mesmo um sinal, em uma conta bancária e, depois, nunca mais consegue encontrar o vendedor. Mas também temos casos, de 2017 mesmo, em que a pessoa entrega o produto que estava vendendo pela Internet e, depois, descobre que o envelope que o comprador depositou no banco estava vazio", detalha.
JOVENS
Segundo Serrano, golpes contra idosos ainda seguem frequentes, mas o volume de jovens vítimas deste tipo de crime tem crescido significativamente, já que, de maneira geral, eles são mais ligados ao universo virtual.
Em busca de produtos que oferecem status, como tênis e roupas da moda e eletroeletrônicos, eles se rendem a ofertas que soam irresistíveis, a preços muito abaixo dos praticados pelo mercado.
"É uma enxurrada de casos assim, uma praga. Para se ter uma ideia, eu peço, mensalmente, cerca de 100 quebras de sigilo bancário nestas investigações. Infelizmente, isso é reflexo do quanto as pessoas estão incautas, confiando demais no que indivíduos que elas sequem conhecem estão oferecendo. Na ansiedade de fazer um negócio vantajoso, elas ficam cegas", reclama o delegado.
DIFICULDADES
Ele detalha que, principalmente quando há um número de telefone ou de uma conta bancária, não há grande dificuldade em identificar o estelionatário. Porém, deste passo até a recuperação dos valores perdidos, há uma longa trajetória, até porque, quase sempre, o crime tem origem em outros Estados, como o Ceará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, apenas para citar alguns casos concretos que fizeram vítimas em Bauru.
"Com isso, a investigação sai da minha esfera de atuação e preciso enviar o caso para estes Estados. Como é que uma pessoa de Bauru irá acompanhar isso, inclusive na esfera judicial? A probabilidade de ela reaver o dinheiro é ínfima", observa o titular da SIG, Richard Serrano.

Comentários